quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Obrigado, Coração!


Uma poesia de Clarice Linspector me fez escrever este texto, eis um trecho interessenate dela:

“(...)Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto (...)”



Ao ler esse texto lembrei-me das vezes em que esse meu coração me colocou em relações das quais saí mal...
Recordei que em todas elas, mesmo já previnido pelo meu cérebro, por causa desse meu coração, continuei, insisti, fui em frente! Um pouco levado pela vontade de que desse certo e outro pouco levado pela cegueira momentânea da paixão. Mas em ambos casos, culpa dele!

Quando falo de “relações”, não me refiro só e simplesmente às homem-mulher, amor romântico. Falo de amizade, falo de família, falo de relações interpessoais (para mim, muitas vezes, superiores a esse amor romântico) sem as quais não vivo! Sem as quais ninguém, embora muitos insistam em negar, vive!

Demorei a entender que não devemos “amarrar” as pessoas a nós. Atrelando-as a laços afetivos desordenados! Demorei a entender que cuidado, carinho e afeto não podem prender ninguém!

É como canta o meu amigo, padre e poeta, “Dr Fabinho”: “Tudo o que te aconteceu foi por falta de entender que amar não é prender, nem ter domínio sobre alguém. Mas consiste em fazer livre a quem se ama e ser quer bem. Todo amor que não promove a liberdade não convém”.

Por mais que se ame alguém, por mais que nos doemos a outra pessoa, nem sempre isso recebe uma correspondência à altura. Por causa disso devo parar?! Isolar-me?! “Cada um por si”?!

Jamais! Não eu! Não consigo... Meu coração é o da poesia acima! Não escolhi isso! Na maioria das vezes nem quero. Nego! Mas meu coração é assim. Não me ouve! Torna-me quem sou!

Aprendi com as quedas que existe um “limite seguro”, e luto para ficar nele! Mas ele deixa? Por causa dele, me vejo ultrapassando esse limite em nome da amizade, do carinho, da paixão, do momento. E aí...

Mas quer saber?! Prefiro assim!

À altivez e segurança dos apáticos sempre tão cheios de armaduras contra tudo o que aquece a alma, fico com o sofrimento de ter tentado, de ter lutado, de ter ajudado, de ter me envolvido!

Prefiro o sorriso de ser bobo à cara sisuda dos sérios, frios, metódicos, racionais e espertos!

Sofro sobremaneira! Mas esse é o preço! Afinal, desculpe o clichê, tudo na vida tem o seu!

Obrigado Coração, por que amo ser quem sou!
Desculpe Dona Clarice, não quero rifá-lo não!
Sou feliz com minhas dores!